Conforme mencionamos num artigo anterior, o Balanço é uma Demonstração Financeira que pode revelar muita informação importante sobre a posição financeira e a competência da gestão da empresa. Neste artigo, iremos ver como essa informação pode ser extraída e analisada.
A abordagem mais básica passa por calcular determinados rácios entre dois itens diferentes e extrair determinados valores líquidos. Por exemplo, comparamos as responsabilidades que a empresa assume perante terceiros (o Passivo) com os seus capitais (Situação Líquida) para avaliar a robustez financeira. Deduzimos o Passivo Corrente (de curto prazo) do Activo Corrente para verificar se a empresa dispõe de fundo de maneio positivo ou negativo.
O que é o Balanço?
Vamos então sumariar o que nos mostra um Balanço típico.
O Balanço mostra-nos os ACTIVOS empregues pela empresa para desenvolver os seus negócios. Estes activos podem ser ACTIVOS CORRENTES, como por exemplo os inventários, as contas a receber dos seus clientes e disponibilidades financeiras que são continuamente reinvestidas na empresa. Ou seja, os inventários e as contas a receber são convertidas em dinheiro e o dinheiro é convertido em inventários e crédito a clientes.
Os activos também podem ser DE LONGO PRAZO (ou FIXOS), como são por exemplo os terrenos, os edifícios, a fábrica, o mobiliário e as viaturas, entre outros. Estes activos não têm como finalidade serem convertidos em dinheiro. De outra forma, são bens que a empresa utiliza nas suas operações produtivas.
O Balanço também revela as OBRIGAÇÕES da empresa. Tais obrigações poderão ser de LONGO-PRAZO, como por exemplo, empréstimos bancários hipotecados usados para aquisição de máquinas e imóveis. Ou podem ser de CURTO PRAZO para financiamento de inventários ou atribuição de crédito a clientes.
Se deduzirmos as responsabilidades totais dos activos totais, obtemos O CAPITAL PRÓPRIO. Este capital é tipicamente construído a partir do capital com que os sócios começam a empresa acrescido dos capitais que a empresa foi conquistando, isto é, os seus lucros. Se a empresa incorrer em prejuízos, esses prejuízos poderão eventualmente absorver o capital inicialmente investido pelos sócios da empresa e poderão tornar o Capital Próprio negativo (situação que designamos por falência técnica).
Para uma leitura mais detalhada dos itens que compõem cada uma destas categorias do Balanço, leia os artigos anteriores.
Analisar o Balanço
O fundo de maneio:
Calculamos o fundo de maneio da empresa deduzindo o Passivo Corrente ao Activo Corrente. Num artigo anterior, vimos um exemplo de uma empresa cujo Activo Corrente era de 29167 e o Passivo Corrente de 2747. Esta empresa tem um fundo de maneio de 29167 menos 2747, ou seja de 26420.
O fundo de maneio representa os fundos disponíveis para as operações do dia-a-dia da empresa. Por exemplo, ao converter as contas a receber e os inventários em dinheiro, a empresa obtém as disponibilidades financeiras de que necessita para pagar aos seus fornecedores e empregados. Normalmente, um fundo de maneio negativo é um sinal de alerta. No entanto, em empresas que vendem as suas mercadorias a pronto, como lojas por exemplo, um baixo fundo de maneio poderá não ser problemático.
Negócios industriais como produtores de maquinaria, por exemplo, precisam de mais tempo para converter os seus inventários e contas a receber em dinheiro, pelo que terão de dispor de um fundo de maneio substancialmente mais elevado.
Liquidez Geral e Reduzida
A Liquidez Geral é calculada através da divisão do Activo Corrente pelo Passivo Corrente. Se o Activo Corrente for superior do que o Passivo Corrente, o rácio será superior a um. No exemplo ilustrativo apresentado anteriormente, o Rácio de Liquidez Geral é de 27167/2747, ou seja, 10.62. Poderá valer a pena referir que um Rácio de Liquidez Geral superior a um indica fundo de maneio positivo e inferior a um, negativo.
O Rácio de Liquidez Imediata é calculado dividindo o Activo Corrente excepto Inventários pelo Passivo Corrente. Os Inventários não são incluídos no numerador deste Rácio porque tipicamente levam mais tempo a converter em dinheiro. Os Inventários também podem incluir bens que já não sejam vendáveis. Este indicador será, por isso, uma melhor indicação da capacidade da empresa para satisfazer as suas obrigações de curto prazo. No Balanço de demonstração, o Activo Corrente é de 27167 e não inclui Inventários, pelo que o Rácio de Liquidez Reduzida é igual ao Rácio de Liquidez Geral, i.e., 10.62.
Rácio de Alavancagem Financeira
O Rácio de Alavancagem Financeira é calculado dividindo o Passivo total pelo Capital Próprio. No exemplo ilustrativo, o Passivo é de 1745 e o Capital Próprio de 36005. Por isso o Rácio de Alavancagem Financeira é de 0.048.
O valor de alanvancagem financeira que poderemos considerar como aceitável depende da rentabilidade da empresa e do que os investidores também consideram aceitável. Uma empresa que consiga uma rentabilidade superior ao custo das suas dívidas pode ter um Rácio de Alavancagem Financeira maior. Geralmente, um rácio de 1 para 1 é considerado aceitável na maioria dos países (incluindo os Estados Unidos). No entanto, este valor varia de sector para sector.
Estes rácios são apenas os principais para fins ilustrativos. Na prática, a análise entra muito mais nos detalhes. Por exemplo, os níveis de inventários e as contas a receber podem ser comparadas com o volume de vendas anuais para que seja possível avaliar até que ponto a empresa está a gerir bem este tipo de activos. Se os inventários representam vários meses de vendas, isso poderá ser um sinal de que a empresa tem inventários com pouca rotação (os chamados ‘monos’), por exemplo.
Os Rácios Financeiros não têm qualquer valor analisados isoladamente. Ganham uma dimensão muito mais importante quando são analisados ao longo do tempo ou quando são comparados com outras empresas do mesmo sector.
Por acaso, a empresa que usamos como exemplo não é o exemplo de uma empresa típica mas sim de uma empresa extremamente bem sucedida…







